| A ocupação além do Plano Piloto |
|
|
|
| Cotidiano | |||
| Sáb, 13 de Junho de 2009 17:29 | |||
|
Os problemas da Assistência Estudantil nos campi do Gama, Ceilândia e Planaltina
Estudantes, professores e funcionários dos campi Gama, Planaltina e Ceilândia da Universidade de Brasília enfrentam problemas com a assistência estudantil. É ausência de auxílio moradia, de bolsa alimentação e de um transporte entre os campi. A ocupação da reitoria, no entanto, praticamente não contou com representantes desses locais. “Não ficamos sabendo que ia acontecer o ato. Aliás, nenhuma das informações do campus Darcy chega a nós, nem protesto, nem palestras ou qualquer evento”, reclama Heitor Rodrigues, estudante do segundo semestre de Engenharia no campus do Gama. O sentimento de Heitor é o de muitos alunos que, apesar de estudarem na UnB, sentem que não são tão valorizados quanto os do campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Os campi são relativamente novos: o do Gama e o de Ceilândia têm apenas um ano de funcionamento, e o de Planaltina, três. Por esse motivo, ainda não contam com uma boa infra-estrutura nem com certos benefícios. Um exemplo é a Bolsa Alimentação que, no Darcy Ribeiro é oferecida através de um desconto no Restaurante Universitário (RU). Ela não é possível nos demais campi devido a ausência de RUs. Pode ser citada também a moradia estudantil, que só existe na Asa Norte. Caso queiram auxílio moradia, os estudantes têm somente essa opção. Por causa da distância, apenas dois alunos de Ceilândia e dois de Planaltina moram na Casa do Estudante (CEU). Como tem de pagar diariamente o próprio transporte, muitos não acham a proposta vantajosa. Gama
“O campus não tem restaurante universitário, temos que comer ou em restaurantes a quilo, ou no Subway aqui perto. Também não temos nenhuma ajuda na moradia. As pessoas que vêm de fora, têm que alugar casas, mesmo sendo de baixa renda” conta Heitor. Para tentar resolver a questão, o Centro Acadêmico de engenharia cedeu o espaço destinado à construção de um CA para a instalação de um restaurante ou lanchonete. “Fizemos o pedido no final do semestre passado e nos disseram que nesse ano estaria pronto, mas não há nada ainda”, conta Paula Farias, estudante do segundo semestre. O professor Edgar Costa, representante do campus no Decanato de Assuntos Comunitários (DAC) explica: “Quanto à alimentação estamos aguardando retorno, o auxílio, fechado em R$ 240,00 ainda não tem data para entrar. Em relação a moradia, segurança, bem-estar dos alunos, temos uma Comissão de Desenvolvimento Comunitário.” Edgar acrescenta que existe um grande interesse em fixar alunos e professores no próprio Gama.“Formamos uma Comissão de Assuntos Imobiliários para avaliar a melhor forma de garantir essas habitações. Estamos buscando ajuda de outras entidades, empresas que facilitem os custos. O assunto está em pauta nos colegiados” garante. Planaltina As reclamações se repetem em Planaltina: “Estou há um ano sem casa. Como moro numa fazenda muito longe, tenho que dormir na casa do meu tio, no Plano”, desabafa Pedro Vasconcelos, estudante do terceiro semestre de Gestão de Agronegócios. A psicóloga Rosa Mara Santos, representante do campus de Planaltina acrescenta que ali também há comissões internas para a discussão de alimentação e moradia. O problema que enfrentam quanto à moradia é “uma demanda de estudantes que são Distrito Federal, mas que moram longe e têm dificuldade de deslocamento. Eles não têm direito a morar na CEU, que abriga apenas pessoas com famílias fora do DF”, diz. Ela acredita que deveria haver uma alternativa para que esses alunos também recebessem alguma ajuda quanto à moradia. Ceilândia Em Ceilândia, os alunos também têm que usar a residência estudantil na Asa Norte. “A moradia foi oferecida lá no Darcy. Dois dos 40 estudantes classificados como de baixa renda moram na CEU”, diz a assistente social do campus da Ceilândia, Ana Flávia Marques. O problema da alimentação está em vias de ser resolvido, segundo Ana Flávia. “Fizemos um estudo e chegamos ao valor de R$ 200,00 para todos os campi. Posteriormente a decana reavaliou e chegou aos R$ 240,00. A proposta foi aprovada e fizeram resolução” explica a assistente social. Em relação à Planaltina, Ana Flávia esclarece: “Fomos autorizados a dizer que haveria a bolsa, mas não quando, nem como seria. Em Planaltina, pressionaram a decana ao ponto de ela prometer coisas. Não sei o que prometeu, isso não foi documentado e não é oficial”. Outra reivindicação dos estudantes, não apenas de Ceilândia, mas de Planaltina e do Gama, é o transporte gratuito ou a baixo custo entre os campi e da rodoviária para os locais de estudo. “Isso reduziria despesas e garantiria uma melhor comunicação entre eles”, afirma o estudante do Gama, Heitor. Porém, quando questionados sobre transporte, os três representantes do DAC confessaram que o assunto não está em pauta na Câmara de Assuntos Comunitários e que nenhuma proposta foi elaborada até o momento.
Assistência estudantil A assistência estudantil é oferecida aos alunos de baixa rendas I e II, escolhidos de acordo com um edital. Os estudantes assim classificados têm direito à Bolsa Permanência, com valor de R$ 300,00, à Vale Livro, à Bolsa Alimentação e à Moradia Estudantil. A Bolsa Permanência e o Vale Livro são oferecidos nos quatro campi. Os maiores problemas estão em alimentação e moradia. A responsável por esse assunto junto à reitoria da Universidade é a Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS), do Decanato de Assuntos Comunitários (DAC). Atualmente, a diretoria conta com seis assistentes sociais responsáveis pelo mapeamento sócio-econômico dos quatro campi. Ana Flávia reclama da falta de profissionais: “As reivindicações dos estudantes deviam ser para aumentar o número de assistentes sociais e assistentes administrativos. Agilizaria muito. A falta de profissionais gera uma sobrecarga e isso contribui para que haja falhas”. Devido a falta de funcionários, os campi do Gama e Planaltina não possuem nenhum departamento especial para tratar desses assuntos. Todas as questões são levadas ao Campus Darcy Ribeiro. Apenas Ceilândia conta com um posto de atendimento da DDS, representado pela assistente social Ana Flávia. Gama e Planaltina são representados respectivamente pelo professor Edgar Costa e pela psicóloga Rosa Mara Santos. Mesmo enfrentando muitas dificuldades e carecendo de reformulação, a importância da assistência é inquestionável. A estudante do primeiro semestre de enfermagem da Ceilândia, Vanúbia Caxeado recebe R$ 300,00 mensais de Bolsa Permanência e diz: “A UnB dá uma boa assistência. Para trabalhar é difícil e eu preciso me manter, além do mais tenho a oportunidade de fazer trabalhos acadêmicos e me envolver mais com a Universidade”. Até o fechamento da matéria, a decana de Assuntos Comunitários, Raquel Nunes foi procurada, mas não quis gravar entrevista. Leia mais Reitor assina termo de compromisso e ocupação continua
|